Secretaria da Cultura

Grande Sertão: Veredas

Periodo: de 20/03/2006 a 28/02/2007

“A linguagem e a vida são uma coisa só.Quem não fizer do idioma o espelho de sua personalidade não vive;e como a vida é uma corrente contínua,a linguagem também deve evoluir constantemente.Isto significa que como escritor devo me prestar contas de cada palavra e considerar cada palavra o tempo necessário até ela ser novamente vida.O idioma é a única porta para o infinito,mas infelizesmente está oculto sob montanhas de cinzas.” João Guimarães Rosa.

 

A exposição “Grande Sertão: Veredas” inaugurou a Sala das Exposições temporárias do Museu da Língua Portuguesa, ficando aberta à visitação pública de 21 de março de 2006 até final de fevereiro de 2007.

 

A concepção geral e direção da mostra ficou sob a responsabilidade da arquiteta, cenógrafa e diretora teatral Bia Lessa e teve direção de arte de Marcos Sachs.

 

A pesquisa de textos e legendas coube a Mônica Gama e Vitor Borysow e a consultoria ficou sob a responsabilidade de Marily Bezerra.A mostra, em homenagem aos cinquenta anos de lançamento deste grande romance do autor Guimarães Rosa contou com a inestimável colaboração de Anna Mariani,Antonio Candido e do saudoso José Mindlin.

 

A mostra,valendo-se de matérias de construção ( tijolos, areia, água e madeiras) reconstruía todo o caminho percorrido pelas personagens Riobaldo rebatizado ao longo do romance de Tatarana e Urutu Branco; Zé Rebelo; Joca Ramiro; Ricardão; Hermógenes; e do personagem central Diadorim, bela jovem que pelas circunstâncias da vida é obrigada a se passar por homem.

 

A exposição, repleta de interatividade a partir de materiais muito simples, conduzia o visitante a uma viagem pelo sertão e pela obra literária poderosa do autor.

 

A cantora Maria Bethania emprestou sua voz para a leitura de trechos do romance que podiam ser ouvidos e apreciados pelos visitantes em uma área expositiva onde monitores de televisão mostravam a palavra “ NONADA” palavra criada por Guimarães Rosa que abre o romance e guarda em si toda a força da narrativa.

 

Grande painéis suspensos permitiam ao visitante a leitura de toda a obra, a partir de reproduções dos rascunhos datilografados pelo autor e por ele muitas vezes corrigidos à mão.

 

Primeira exposição temporária a ocupar o Museu da Língua Portuguesa, o projeto foi uma iniciativa da Fundação Roberto Marinho e marcou de maneira exitosa a inauguração do novo espaço cultural de São Paulo e do Brasil.
 



Machado de Assis

Periodo: de 01/05/2009 a 14/05/2009

Joaquim Maria Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 – Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1908) foi um poeta, romancista, dramaturgo, contista, jornalista e teatrólogo brasileiro, considerado como o maior nome da literatura brasileira, de forma majoritária entre os estudiosos da área.[1][2] Sua extensa obra constitui-se de nove romances e nove peças teatrais, 200 contos, cinco coletâneas de poemas e sonetos, e mais de 600 crônicas.[2][3] Machado assumiu cargos públicos ao longo de toda sua vida, passando pelo Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas, Ministério do Comércio e pelo Ministério das Obras Públicas.[4]

A obra ficcional de Machado de Assis tendia para o Romantismo em sua primeira fase, mas converteu-se em Realismo na segunda, na qual sua vocação literária obteve a oportunidade de realizar a primeira narrativa fantástica e o primeiro romance realista brasileiro em Memórias Póstumas de Brás Cubas (sua magnum opus).[5] Ainda na segunda fase, Machado produziu obras que mais tarde o colocariam como especialista na literatura em primeira pessoa (como em Dom Casmurro, onde o narrador da obra também é seu protagonista). Como jornalista, além de repórter, utilizava os periódicos para a publicação de crônicas, nas quais demonstrava sua visão social, comentando e criticando os costumes da sociedade da época, como também antevendo as mutações tecnológicas que aconteceriam no século XX, tornando-se uma das personalidades que mais popularizou o gênero no país.


“PALAVRAS SEM FRONTEIRAS – Mídias convergentes”

Periodo: de 06/04/2009 a 26/07/2009

A mostra é baseada no livro “Palavras Sem Fronteiras” do falecido Embaixador e Membro da Academia Brasileira de Letras Sérgio Corrêa da Costa e apresenta palavras que conservam em vários idiomas a mesma escrita e significado (exemplo: chocolate; piercing; tomate; zen; robô; e piano).
 
A mostra, que foi apresentada em 2007 na sede da Academia Brasileira de Letras, está mesclada à exposição permanente do museu, com projeções na Grande Galeria, no Auditório e na Praça da Língua (nestes dois últimos espaços nas sessões das 11h,12h30,14h00 e 15h30.
 
Existe, também, um módulo especial da exposição dedicado às palavras de origem francesa em exibição no Espaço Imprensa Oficial (livraria do museu).
 
A exposição, que ficará em cartaz até dia 14 de junho, tem curadoria de Júlio Heilbron e Maria Eugênia Stain e foi copatrocinada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.


“O FRANCÊS NO BRASIL EM TODOS OS SENTIDOS”

Periodo: de 11/05/2009 a 08/11/2009

Quinta exposição temporária a ocupar a sala do primeiro andar do Museu da Língua Portuguesa, a mostra “O Francês no Brasil em todos os sentidos” é uma realização do Governo do Estado de São Paulo e do Governo da França, através do Consulado Geral da França em São Paulo e faz parte das atividades oficiais do Ano da França no Brasil. A mostra conta com o copatrocínio da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

A exposição apresenta os pontos de contato dos idiomas português e francês e, ainda, as influências culturais presentes na nossa cultura e que tem suas origens na França.

Com curadoria dos franceses Henriette Walter e Benoît Peeters e do brasileiro Alvaro Faleiros a exposição tem cenografia assinada por André Cortez e recria no primeiro andar do museu uma metrópole contemporânea, uma cidade cenográfica que mescla São Paulo e Paris, duas das mais importantes cidades do mundo na atualidade.

Poesia, cultura popular, moda, balé, gastronomia e literatura são temas abordados nesta exposição que ficará em exibição até o próximo dia 08 de novembro.


Cora Coralina visita o Museu da Língua Portuguesa

Periodo: de 29/09/2009 a 28/02/2010

No ano em que comemoramos os 120 anos de nascimento da escritora Cora Coralina, o Museu da Língua Portuguesa presta sua homenagem a esta grande artista nascida na Cidade de Goiás ( GO) com a exibição da mostra “ Cora Coralina: coração do Brasil”

A exposição tem curadoria de Júlia Peregrino e cenografia de Daniela Thomas e Felipe Tassara e ocupará o segundo andar do museu.

Mesclando imagens do universo pessoal de Cora (como o mítico casarão da ponte e os doces por ela feitos) a trechos de suas poesias, a mostra exibirá, ainda, documentos inéditos da autora, como diários e originais de seus livros. Os visitantes também poderão assistir  um vídeo com declarações da própria Cora Coralina.

A realização da mostra só foi possível graças ao patrocínio do Governo do Estado de Goiás, do apoio da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, do empenho da Associação Casa de Cora Coralina e da colaboração da família da querida escritora

O Governo do Estado de São Paulo,a POIESIS – Organização Social de Cultura e o Museu da Língua Portuguesa se sentem muito honrados por  prestar esta homenagem a quem tanto enriqueceu a nossa cultura.

A mostra ficará em exibição ao público até o dia 28 de fevereiro de 2010 e sempre nos mesmos horários de funcionamento do museu.



OMISTÉRIOOTEMPOEMPOESIAS

Periodo: de 07/10/2009 a 28/02/2010

A exposição OMISTÉRIOOTEMPOEMPOESIAS, do artista Cacau Brasil, marca a primeira utilização da Passarela da Estação da Luz – por onde passam diariamente 400 mil pessoas – como uma extensão do Museu da Língua Portuguesa, que correaliza a mostra. Até 28 de fevereiro de 2010, este trabalho multimídia inédito do jovem artista mineiro estará aberto para o público no prédio histórico da Estação da Luz. O objetivo é apresentar ao visitante o lirismo do cotidiano por meio de diversas manifestações artísticas: pintura, poesia, música, videoarte e performances cênico-musicais.

Com entrada gratuita, a mostra tem a marca da acessibilidade, podendo ser apreciada por todo tipo de público, independente de prévia informação, nível cultural ou necessidade especial e ficará aberta à visitação pública nos mesmos dias e horários do Museu da Língua Portuguesa.

OMISTÉRIOOTEMPOEMPOESIAS tem concepção e criação artística de Cacau Brasil, direção geral de Ritelza Cabral, direção musical de Marcos Resende e direção cênica de Alexandre Roit. A curadoria da exposição multimídia é de Paulo Klein e a museografia de Silvia Landa, da Arquiprom. A produção geral é de Roberto Malta e Valéria Martins, da Mais Cultura. A mostra conta com o apoio da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos e da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.


O crítico de arte Paulo Klein, curador do evento em São Paulo, afirma: “Cacau Brasil surpreende com seu mix de poesia, pintura, música, teatro e instalação. Nesta proposta, o artista disseca signos, através da pintura, de totens com textos poéticos, da inserção de aromas e texturas a serem explorados, tudo de um modo límpido e delirante, como sugere no título OMISTERIOEMTEMPOEMPOESIAS.”

O espaço da exposição é um corredor fechado de 34m de extensão por 4m de largura e 2,40m de altura, montado numa das passarelas da Estação da Luz. Em um ambiente com iluminação especial, tudo leva à assimilação da pintura, das impressões poéticas e das experimentações de Cacau Brasil.


A mostra é composta de 15 painéis com pinturas a óleo sobre tela e técnica mista, em que a poesia é sugerida por meio de signos inscritos com cores metálicas (cobre, ouro, prata). Placas de acrílico com textos poéticos, sons e melodias coletados pelo artista e um vídeo, com duração de sete minutos, são elementos que propõem uma vivência espacial através de símbolos e ambientes imaginários. A trilha sonora do vídeo é de Paulo Rafael, guitarrista e diretor musical, que criou um mantra contemporâneo a partir da sonoridade dos metais. 


Faz parte da exposição uma performance cênico-musical que utiliza técnicas de teatro de rua, música e expressão corporal. O texto da performance também foi escrito por Cacau Brasil. Em São Paulo, ela será feita por quatro atores e quatro músicos nas ruas e no entorno da Estação da Luz, onde está a exposição (de quarta-feira a sexta-feira, às 11h e às 13h, sábados e domingos, às 11h,12h,14h e 15h). A proposta é despertar a atenção das pessoas que circulam pela região e estimulá-las a visitar e a se integrar ao contexto de OMISTÉRIOOTEMPOEMPOESIAS.



Menas,o Certo do Errado, o Errado do Certo

Periodo: de 15/03/2010 a 27/06/2010

Até o dia 27 de junho, quem vier ao Museu da Língua Portuguesa poderá visitar a mostra temporária “ Menas: o certo do errado, o errado do certo”. Esta é a sexta exposição a ocupar o espaço das exposições temporárias, e reforça o papel do museu como importante espaço educador e difusor da língua portuguesa.
 

O próprio título da exposição é uma provocação. Mesmo sabendo que “menos” é um advérbio, portanto, invariável, quantas vezes já não ouvimos a “concordância” com o gênero feminino por pessoas das mais diferentes classes e idades. Para os curadores da exposição, os professores Ataliba T. de Castilho e Eduardo Calbucci, Menas está na fronteira entre tudo o que não vale e o vale-tudo. E essa provocação é a proposta da exposição que ocupa cerca de 450 m2 do Museu da Língua Portuguesa com sete instalações para enumerar nossos “erros” linguísticos mais comuns, entender por que saímos do padrão culto e discutir a amplitude e a criatividade da língua.
 

A idéia da exposição partiu do próprio secretário de Cultura do Estado de São Paulo, João Sayad.
 

Esta mostra pretende aproximar ainda mais o museu de seu grande público, já que trata de questões presentes no nosso dia a dia. A exposição, além de muito interativa e divertida, mostra aos visitantes a existência e pertinência dos vários padrões de linguagem que devem, ou deveriam, ser dominados por todos, criando verdadeiros usuários poliglotas de uma só língua, no caso a portuguesa.
 

Mais uma vez o museu aposta em uma escrita expositiva moderna e dinâmica, usando tecnologia como ferramenta para ampliação do conhecimento.
 

Mais uma vez o museu,com esta exposição, pretende aguçar a curiosidade de seus visitantes.Pretende,de maneira lúdica e cheia de prazer ,fazer com que os seus visitantes entendam melhor os mecanismos de nossa língua e possam,assim, usá-la de maneira mais apropriada, de acordo com o momento e o espaço.
 

A exposição conta com cenografia de Vasco Caldeira e com dois curadores que sabem muito bem do que estão falando: Ataliba T. de Castilho e Eduardo Calbucci. A combinação entre o conhecimento e a capacidade de comunicação foi a dose certa para um conteúdo que diverte sem perder a consistência. O professor Ataliba é uma das principais autoridades do Brasil quando o assunto é língua portuguesa. Atualmente aposentado, foi Professor Titular de Filologia e Língua Portuguesa da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo até 2007. Na sua bagagem acadêmica, constam 24 livros publicados e 60 publicações em revistas especializadas.
 

Já Eduardo Calbucci é Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela ECA-USP, mestre e doutor em Linguística pela FFLCH-USP. É coautor do material de Português (Gramática, Texto, Redação e Literatura) e Sociologia do Sistema Anglo de Ensino, professor do Anglo Vestibulares em São Paulo desde 1994 e membro do corpo editorial da Editora Anglo. Tem também vasta experiência como professor de Português no Ensino Médio. Publicou, em 1999, pela Ateliê Editorial, Saramago: um roteiro para os romances, obra que está em segunda edição. Seu novo livro, A Enunciação em Machado de Assis, a ser publicado pela Nankin e pela Edusp, está em fase final de edição.
 

Sem preconceitos, visitem a mostra, passeiem pela Biblioteca de Babel, conheçam a Dona Norma , divirtam-se e conheçam um pouco mais os ricos mecanismos de nosso belo idioma.

 

Veja o site da exposição:

http://www.poiesis.org.br/mlp/expo/menas/index.html



Fernando Pessoa,plural como o universo

Periodo: de 24/08/2010 a 20/02/2011

Fernando Pessoa, plural como o Universo

“ A minha arte é ser eu, eu sou muitos.”
( Fernando Pessoa,s/d)

  Ao morrer,no dia 30 de novembro de 1935 na cidade de Lisboa, Fernando Pessoa deixou em casa uma arca com milhares de textos inéditos, manuscritos e datiloscritos.À medida que foram sendo descobertos e publicados, ao longo do século XX,esses textos passaram a formar um dos mais belos e importantes conjuntos de obras da língua portuguesa.
 

  Primeiro autor estrangeiro a ser homenageado em uma exposição pelo Museu da Língua Portuguesa, Fernando Pessoa é conhecido como o mais brasileiro dos poetas portugueses.
 

  A mostra, que teve a Curadoria de Carlos Felipe Moisés e Richard Zenith, contou com um requintado projeto cenográfico de Hélio Eichbauer.
 

  Como todas as demais exposições do museu, “Fernando Pessoa,plural como o Universo” usou como principal suporte a rica obra deste autor criador da frase “ Minha pátria é a Língua Portuguesa”.
 

  O poeta, que nasceu no dia 13 de junho de 1888 em Lisboa,consagrou sua vida toda à criação literária, movido por uma inquietação grande e um constante interrogar-se de raiz filosófica, mas pleno de imaginação e emoção.Para evitar confusões, ele desde sempre se definiu “ um poeta impulsionado pela filosofia,não um filósofo dotado de faculdades poéticas”.
 

  Assim, cada poema do autor, como dizem os curadores da mostra, é palco de certo teatro, onde se encerra a interminável busca da autoidentidade.Em “ Autopsicografia”,um de seus mais conhecidos poemas, ele afirma: “ O poeta é um fingidor”.
 

  A ideia de poesia como “ fingimento” ( fingere, o verbo latino de onde provêm fingir e também ficção, significava em sua origem “ moldar”,”esculpir”) ou teatro conduziu Pessoa à criação de heterônimos, personagens de ficção, seres que poderíamos encontrar nas páginas de um romance ou nos palcos, mas dos quais temos apenas as vozes isoladas, os poemas ou a prosa que escreveram,não os enredos ou a ação dramática de que tomassem parte.Isto define uma estratégia geral de criação literária: tudo que Pessoa escreveu é heteronímico,até mesmo a pequena parte de sua obra que ele assina com seu nome de batismo.
 

  Este mundo fascinante onde transitam os poemas de Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos,Bernardo Soares e tantos outros seres e personagens tomados emprestados por Fernando Pessoa, serviu de inspiração para a exposição, que aliando tecnologia, modernidade, interatividade e documentos museológicos apresentou ao grande público este autor,estes autores, esta obra maravilhosa este universo plural, rico, fascinante.
 

Período: 23 de agosto de 2010 a 20 de fevereiro de 2011.

Realização: Fundação Roberto Marinho e Governo do Estado de São Paulo

Parceria: Rede Globo; Banco Itaú; Banco Caixa Geral –Brasil; e Fundação Calouste Gulbenkian

Parceria: Consulado Geral de Portugal em São Paulo; Casa Fernando Pessoa/Lisboa; Centro Cultural Correios/Rio de Janeiro; e Lei de Incentivo à Cultura/Ministério da Cultura

Produção: FazerArte 
 

 



Oswald de Andrade: o culpado de tudo

Periodo: de 27/09/2011 a 26/02/2012

 A exposição ficará aberta à visitação pública na Sala das Exposições Temporárias do Museu da Língua Portuguesa entre 27 de setembro de 2011 e 26 de fevereiro de 2012.
 

 A frase “Direito de ser traduzido, reproduzido e deformado em todas as línguas”, escrita por Oswald em 1933 no verso da folha de rosto da edição original de Serafim Ponte Grande, é o ponto de partida da exposição e pode ser lida já no pátio de acesso ao museu.
 

 Em Oswald de Andrade: o culpado de tudo, o público tem a oportunidade de conhecer profundamente o polêmico escritor, um dos criadores da Semana de Arte Moderna de 22. A curadoria é de José Miguel Wisnik, com  curadoria-adjunta de Cacá Machado e Vadim Nikitin. Carlos Augusto Calil e Jorge Schwartz são consultores da exposição. O projeto expográfico é do arquiteto Pedro Mendes da Rocha.
 

 Pela primeira vez o museu realiza uma exposição sobre a vida e obra de um escritor paulista e paulistano.Para o Secretário de Estado da Cultura, Andrea Matarazzo,  “Oswald de Andrade é o mais paulista dos nossos escritores. Conheceu e viveu esta cidade como ninguém. Para nós, da Secretaria da Cultura, é um privilégio dar a nossa contribuição para a lembrança do escritor, um artista que revolucionou a nossa literatura e que, ao participar ativamente da criação da Semana de Arte Moderna, inseriu São Paulo no mapa mundial das artes.” 
 

 Para o curador da mostra, José Miguel Wisnik, “o projeto teve por objetivo organizar uma exposição sobre Oswald de Andrade, reforçando seu papel decisivo para a formação da cultura contemporânea e destacando a consistência de sua obra, de maneira a que a sua atualidade esteja patente sem que se perca de vista a situação histórica em que ela foi gerada.”
 

 A mostra contempla três dimensões de leitura: poética; histórico-biográfica; e filosófica. Estas dimensões não se caracterizam como “partes” em que se divide a exposição, mas como níveis de manifestação da “vida-e-obra” que se articulam de maneira inseparável no processo expositivo.

 

 Dimensão Poética: Não se fala estritamente de poesia, mas da poética da forma, do envolvimento com a linguagem em todos os seus aspectos. Oswald é um escritor muito próximo das artes visuais, pioneiramente consciente das implicações técnicas trazidas pela reprodutibilidade da arte, dialogando com a fotografia, o cinema, o cartaz. A exposição tem como ponto de partida os princípios formais que ele mesmo traçou no Manifesto da Poesia Pau-Brasil: agilidade, síntese, equilíbrio geômetra, acabamento técnico, invenção e surpresa.
 

 A condensação do pensamento em frases e boutades, a verve anedótica, a paródia, o fragmento, o design, o reclame, a espacialização das palavras na página, são, todos, procedimentos de economia verbal,altamente visualizáveis, de cuja agilidade dessacralizante a exposição não fica a dever.

 
 Dimensão Histórico-biográfica: Poucos escritores têm, como Oswald, uma biografia que é também um diagrama de seu tempo. O jovem burguês viajante boêmio acompanhando “in loco” os movimentos da vanguarda europeia nos anos 10; o artífice do movimento modernista e agitador antropofágico, poeta e autor de narrativas experimentais na década de 20; o dilapidador de fortuna arruinado pela crise de 29, militante comunista editando O Homem do Povo, “casaca de ferro da Revolução Proletária”, escrevendo romance cíclico e teatro cáustico na década de 30; o intelectual em ruptura com a ortodoxia estalinista, retomando a vertente utópica do seu pensamento em textos de fôlego discursivo e filosofante, nos anos 40, e condenado ao ostracismo na fase final, até a morte em 1954, são figuras gritantes dos grandes temas ideológicos da primeira metade do século XX, indo da “belle époque” ao segundo pós-guerra.
 

 Duplas criativas, formadas a cada momento entre Oswald e Mário de Andrade, Oswald e Tarsila do Amaral, Oswald e Blaise Cendrars, Oswald e Pagu, Oswald e Flavio de Carvalho, são significativas dos trânsitos culturais envolvidos, e são objeto de tratamento expositivo. Os espaços do hotel, do automóvel, da garçonnière, do navio, da ferrovia e da estação de trem, sempre em forte ligação com a cidade São Paulo, e redobrados pela própria inserção do Museu da Língua na Estação da Luz, têm um valor decisivo para a concepção espacial da exposição.

 
 Dimensão Filosófica: Oswald de Andrade é um pensador original da cultura contemporânea e da inserção original do Brasil nesse quadro. A exposição se contrapõe a toda e qualquer visão epidérmica desse pensamento, ressaltando o que há de rigoroso e radical nos seus critérios, mesmo quando sob a forma do epigrama, que Oswald leva a consequências inéditas.A influência marcante do autor a partir dos anos 60, graças às intervenções fortes da poesia concreta, do Teatro Oficina e do movimento tropicalista, pode ser entendida também pelo que havia de antecipatório em suas ideias: questões como as do sentimento órfico contra o produtivismo prometeico encontram-se depois no Eros e civilização de Herbert Marcuse; a ideia da revolução sexual e da utopia do matriarcado se vê em Wilheim Reich; o primitivismo tecnológico pode ser reconhecido na “aldeia global” de MacLuhan.
 

 O percurso da exposição


 Considerando a forte relação de Oswald de Andrade com a cidade de São Paulo e suas questões, o projeto expográfico de Pedro Mendes da Rocha propõe um diálogo entre a exposição (espaço interno) e a cidade (espaço externo),assim,as paredes da Sala das Exposições Temporárias foram todas pintadas de branco e os tapumes que fechavam as janelas do espaço foram retirados permitindo que a paisagem urbana, contemplada pelas janelas do edifício, assuma protagonismo. À direita, o visitante pode ver o Jardim da Luz e, à esquerda, a gare da Estação da Luz. Uma luz “tropical” permeia todo o espaço expositivo.
 

 Módulos


As Quatro Gares

Painéis ilustrados retirados do poema As quatro gares introduzem o visitante à exposição.Na parte posterior deste mesmos painéis estão as quatro fases da vida e obra de Oswald de Andrade: boemia; vanguarda;revolução; e utopia.

As Mulheres

Este módulo faz uma contraposição do patriarcado paulista com o matriarcado de Oswald, do qual as mulheres compõem uma maravilhosa galeria. Etiquetas informam os nomes de cada uma e brevíssimos resumos da relação delas com Oswald.No centro da instalação a escultura Deisi, de Victor Brecheret.


Semana de Arte Moderna e Pau Brasil

Os dois módulos estão um de frente para o outro.No módulo  Semana de Arte Moderna de 1922 o visitante poderá conhecer uma série de afirmações do próprio Oswald sobre o importantes movimento. Já no módulo Pau Brasil,além do autor,o visitante constatará as ilustres presenças de Paulo Prado, Tarsila do Amaral e Blaise Cendrars. Nesta área expositiva o “Manifesto Pau Brasil” está gravado em um dos painéis.


Descoberta do Brasil

No centro deste módulo, uma nota antiga de mil Cruzeiros com a figura de Pedro Álvares Cabral carimbada com o título da exposição “O culpado de tudo”, obra do artista plástico Cildo Meirelles. Neste módulo estão em evidência as cenas da colonização: descoberta; catequese; escravidão; Zé Pereira; o bumbo do carnaval; Gonçalves Dias ;o indianismo romântico;  o engenho do açúcar cozinhando escravos; e o próprio carnaval. Uma alegoria das culturas e “descobertas” do país.


Praça da Apoteose

 Como no Carnaval, vários temas e alegorias se misturam e circulam por esta área expositiva:


Finanças: Crack (Crise do café) – Imagens da crise de 1929;
 Manifesto Antropófago ;.
Traição de Classe,fonte: “João Miramar” / “Serafim Ponte Grande”;
 Traição de Classe,fonte: “O Homem do Povo”;
 MariOswald ,contraponto das duas  personalidades:  Oswald e Mário de Andrade;
 Totem & Tabu;
 Pós Oswald , o legado de Oswald nas gerações seguintes;
 Antena da Raça, Oswald pressentindo o futuro;e
A antropofagia do diretor Zé Celso, do Teatro Oficina e da Tropicália.

 
Ainda neste módulo, o visitante poderá deixar registrada sua visita e suas impressões em um ambiente que recria cenograficamente a “garçonnière” onde Oswald produziu O perfeito cozinheiro das almas deste mundo, diário coletivo no qual os amigos do autor escreviam poemas e recados.


Língua Pátria

O corredor de saída da exposição,com vistas para o Jardim da Luz, apresenta poemas e textos estrategicamente colocados e reproduzidos de modo a aproximar mais ainda as ruas e vielas da cidade do museu .


Banheiro

 Nos banheiros da Sala das Exposições Temporárias uma divertida e poética seleção de frases ligeiramente pornográficas de Oswald. Aos mais sensíveis e pudicos, o museu recomenda o uso dos banheiros instalados no segundo andar.



 Frases emblemáticas do autor como  “Tupi ou not Tupi, that is the Question” permeiam toda a mostra,circulando lentamente por todo o espaço expositivo , em um movimento lento... circular... contínuo.

 
Oswald de Andrade: o culpado de tudo ficará em cartaz até  26 de fevereiro de 2012.


Ficha técnica da exposição:


Curadoria Geral: José Miguel Wisnik
Curadoria-Adjunta: Cacá Machado e Vadim Nikitin
Consultoria: Jorge Schwartz e Carlos Augusto Machado Calil
Produção executiva: Ana Helena Curti e Fernando Lion
Projeto Expográfico: Pedro Mendes da Rocha
Direção de Arte: Laura Vinci
 

Realização: Secretaria de Estado da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, Museu da Língua Portuguesa,
Parceria: Editora Globo



“Esta Sala é uma piada” - Salão Internacional de Humor de Piracicaba

Periodo: de 17/12/2011 a 11/03/2012

  Perto de completar 40 anos, o Salão de Humor de Piracicaba foi criado pelos maiores cartunistas e desenhistas brasileiros ainda durante o Regime Militar, no ano de 1974. O desenho de humor é uma forma de expressão muito especial, carregado de críticas sociais e de reflexões aguçadas sobre a condição humana.

   A mostra “ Esta Sala é uma Piada” tem curadoria de Raphael Ramos da Costa Fioranelli Vieira e conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Piracicaba, através de sua Secretaria de Ação Cultural e do Salão de Humor.

   A exposição, instalada no saguão do terceiro andar do museu, apresenta 24 obras de artistas brasileiros e estrangeiros, obras apresentadas na edição 2011 do Salão.

   Até dia 11 de março, quem vier ao museu, poderá apreciar, rir e refletir a partir das obras apresentadas!

 



Museu da Língua Portuguesa
Estação da Luz

Praça da Luz, s/nº
Centro - São Paulo - SP
(11) 3326-0775
museu@museulp.org.br